Site com uma riquíssima base documental sobre os temas da República e a Laicidade.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Proclamação da República em Beijós - Viseu
Em Beijós, aldeia (sede de freguesia) situada na estrada que vai de Carregal do Sal a Viseu (via Sangemil), a 12 Km de Carregal do Sal (sede do concelho), no distrito de Viseu, a então recém implantada República Portuguesa foi proclamada a 16 de Outubro de 1910 e esse ato mereceu o ajuntamento popular que a foto documenta. Aparentemente,
o interesse pelas coisas da República em Beijós não será alheio a um
tal abade Pais Pinto, revolucionário republicano que ainda hoje é recordado na toponímia da principal rua da localidade e que [alegadamente] esteve diretamente envolvido na revolta que teve lugar a 31 se janeiro de 1891, no Porto.
Fonte: República e Laicidade
Afonso Costa
Afonso Augusto de Costa nasceu em
Seia a 6 de Março de 1871. Fez o curso Secundário na Guarda e no Porto e
licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1895. Ainda
estudante publicou um artigo contra o Ultimato, tendo por isso sido
julgado em 1890.
No ano seguinte à sua licenciatura
venceu o concurso para Lente Catedrático e passou a leccionar na
Faculdade de Direito de Coimbra, acumulando o cargo com o exercício da
advocacia. Nessa época destacava-se já como orador na defesa dos ideais
republicanos. Em 1900 foi eleito deputado do Partido Republicano
Português, pelo círculo do Porto. Voltou ao Parlamento em 1906, desta
vez como deputado por Lisboa, onde se distinguiu no combate às
instituições monárquicas.
Em 1908 envolveu-se na tentativa de revolução, tendo sido preso.
Depois do regicídio voltou ao
Parlamento onde os seus discursos ficaram célebres. Com a Implantação da
República assumiu o cargo de Ministro da Justiça tendo sido responsável
por um importante conjunto de leis como a da Separação da Igreja do
Estado, as Leis da Família e as do Registo Civil.
Em 1911 foi o líder de uma cisão do
Partido Republicano Português, fundando o Partido Democrático e o jornal
O Mundo. Assumiu o cargo de Presidente do Ministério (1º Ministro) em
três períodos: Janeiro de 1913 a Fevereiro de 1914; Novembro de 1915 a
Março de 1916; Abril de 1917 a Dezembro de 1917.
Em 1914 defendeu a participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial.
Em 1917, durante a ditadura de
Sidónio Pais foi preso durante 110 dias. Quando saiu da prisão,
exilou-se em Paris, e apesar de viver no estrangeiro, foi nomeado
presidente da delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes e
mais tarde presidente da delegação portuguesa junto da Sociedade das
Nações.
Afonso Costa permaneceu em Paris até morrer em 1937.
Biografia disponível no site do Centenário da República - República nas escolas
terça-feira, 29 de maio de 2012
A educação na Mealhada há cem anos
Pesquisa de Artur Mendonça:
"O Ministério da Instrução Pública, criado em Junho de 1870 por iniciativa de D. António da Costa, durante o curto governo chefiado pelo Duque de Saldanha (Junho a Setembro de 1870), serviu para tentar resolver o grave problema da instrução popular. Quando o Duque de Saldanha foi deposto desaparece o ministério que só volta a ser instituído entre 1890 e Março de 1982.
Até 1913, a “instrução” cruzava domínios de vários ministérios, mas a República que sempre procurara promover o desenvolvimento do ensino primário como um dos seus grandes “sonhos” criou novamente o Ministério da Instrução Pública. Será com o Estado Novo, em 1936, que a designação passa para Ministério da Educação Nacional.
Desde a implantação do regime liberal em Portugal, em 1834, que algumas elites defendiam a necessidade de uma instrução primária generalizada, mas a população de forma genérica permanecia indiferente, quando não hostil a estes avanços. Só quando o crescimento urbano e industrial se acentua é que algumas franjas populacionais sentem a necessidade de mais formação nas primeiras letras. Iniciam-se então cursos de primeiras letras em clubes e associações mutualistas, em regime nocturno ou fora do horário laboral.
Em 1890 o número de professores primários existentes andaria perto dos 4000, em 1910 não chegava aos 6000.Havia ainda as escolas particulares, em número bastante significativo, mas com bastante menos alunos que as públicas.
"O Ministério da Instrução Pública, criado em Junho de 1870 por iniciativa de D. António da Costa, durante o curto governo chefiado pelo Duque de Saldanha (Junho a Setembro de 1870), serviu para tentar resolver o grave problema da instrução popular. Quando o Duque de Saldanha foi deposto desaparece o ministério que só volta a ser instituído entre 1890 e Março de 1982.
Até 1913, a “instrução” cruzava domínios de vários ministérios, mas a República que sempre procurara promover o desenvolvimento do ensino primário como um dos seus grandes “sonhos” criou novamente o Ministério da Instrução Pública. Será com o Estado Novo, em 1936, que a designação passa para Ministério da Educação Nacional.
Desde a implantação do regime liberal em Portugal, em 1834, que algumas elites defendiam a necessidade de uma instrução primária generalizada, mas a população de forma genérica permanecia indiferente, quando não hostil a estes avanços. Só quando o crescimento urbano e industrial se acentua é que algumas franjas populacionais sentem a necessidade de mais formação nas primeiras letras. Iniciam-se então cursos de primeiras letras em clubes e associações mutualistas, em regime nocturno ou fora do horário laboral.
Em 1890 o número de professores primários existentes andaria perto dos 4000, em 1910 não chegava aos 6000.Havia ainda as escolas particulares, em número bastante significativo, mas com bastante menos alunos que as públicas.
Palestra do historiador Amadeu Carvalho Homem
No dia 25 de maio, pelas 21:30 horas, teve lugar na Biblioteca Municipal de Mortágua uma palestra proferida pelo Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem, da FLUC, intitulada "Enquadramento histórico-cultural para a Compreensão das Escolas Livres
na dinâmica da Propaganda Republicana".
O evento contou com a presença de várias dezenas de pessoas, mortaguenses e não só!
Coube ao Dr. João Paulo Almeida, médico, natural de Mortágua, fazer a
apresentação do palestrante, destacando-o como um notável académico, com uma destacada intervenção cívica, que tem dedicado muito do seu trabalho à investigação do Republicanismo em Portugal.
Por sua vez, o Presidente da Câmara
destacou o conjunto de iniciativas já organizadas pelo Município de Mortágua no
âmbito das comemorações do Centenário da República, lembrando a tradição
republicana do concelho, que levou a que fosse considerada na época
“a vila mais republicana das Beiras”.
Amadeu Carvalho Homem dividiu a sua intervenção em duas partes:
na primeira parte fez a contextualização histórica acerca das origens do Republicanismo e das escolas livres da Irmânia e Mortágua e, na segunda, respondeu à questão - Porque é que eram tão importantes para os republicanos as questões do ensino e da cultura?
Carvalho Homem debruçou-se, em particular, sobre a Escola Livre da Irmânia (Marmeleira), destacando o papel do seu criador, Basílio Lopes Pereira, fundador do jornal Sol Nascente, que considerou "um lutador pela liberdade"!
Carvalho Homem debruçou-se, em particular, sobre a Escola Livre da Irmânia (Marmeleira), destacando o papel do seu criador, Basílio Lopes Pereira, fundador do jornal Sol Nascente, que considerou "um lutador pela liberdade"!
A Escola Livre da Irmânia e a Escola Livre de Mortágua
O Prof. Doutor Amadeu de Carvalho Homem referiu que o concelho de Mortágua foi precursor na criação das Escolas Livres no Pais, tendo a primeira sido fundada na Irmânia (atual freguesia da Marmeleira), em 1908, e a segunda em Mortágua, em 1919. Depois surgiram outras na região, na Pampilhosa, Mealhada e Oliveira de Azeméis. Esse pioneirismo compreende-se melhor à luz da realidade política do concelho. “Mortágua era uma terra marcadamente republicana”.
E destacou a figura de Basílio Lopes Pereira, que foi o responsável pela criação da Escola Livre da Irmânia, como mais tarde, em 1923, pela criação da Escola Livre de Oliveira de Azeméis, onde veio a exercer funções públicas.
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