quinta-feira, 17 de maio de 2012

Branquinho da Fonseca

A 16 de maio de 1974 morre o escritor mortaguense, Branquinho da Fonseca, filho de Tomás da Fonseca.


 «Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho obrigação de correr constantemente todo o País. Ando no  caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez só por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer. Entusiasmo-me com a beleza das paisagens, que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região. Num país tão pequeno, é estranhável tal diversidade. Porém não sou etnógrafo, nem folclorista, nem estudioso de nenhum desses aspectos e logo me desinteresso. Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos combóios, além das ajudas de custo. Como vivo sozinho, é suficiente para as minhas necessidades. Fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso. Durante esse mês quero estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível. Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez! Para pensar bem é preciso estar quieto. Talvez depois também cansasse, mas a natureza exige certa monotonia. As árvores não podem mexer-se. E os animais só por necessidade física, de alimento ou de clima, devem sair da sua região. Acerca disto tenho ideias claras e uma experiência definitiva. É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso.»
                               Branquinho da Fonseca, "O Barão"
 
Publicado por  A bem da nação.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Palestra de Amadeu Carvalho Homem

No dia 25 de maio, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Mortágua, o Prof. Dr. Amadeu Carvalho Homem irá proferir uma palestra sobre o tema "Enquadramento histórico-cultural para a compreensão das Escolas Livres na dinâmica da propaganda republicana".
Amadeu Carvalho Homem é professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A sua investigação tem privilegiado a teorização política do liberalismo, da democracia e do socialismo em Portugal, no decurso do período contemporâneo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Otiumlivraria - livros de Tomás da Fonseca


Na homepage pode ler-se: "Somos uma empresa jovem, fundada em 2005, que se dedica ao livro. Não apenas ao seu comércio, mas ao seu estudo, investigação e valorização. Portanto, mais do que um negócio, a nossa relação com o livro reflecte uma atitude de culto, de cuidado, de dedicação. E por isso procuramos servir da melhor maneira aqueles que partilham connosco esta disposição. Mais do que clientes, são, em toda a acepção, “companheiros nas letras”, amigos dos livros e nos livros."
Clicando em Leilões, números 31 e 32, acedemos a autênticas relíquias do mortaguense Tomás da Fonseca.

Livros proibidos de Tomás da Fonseca

O jornal Expresso publicou uma relação de 900 livros proibidos nos anos da ditadura de Salazar e Caetano (1933-1974), que pode ser consultada aqui.
A lista é composta exclusivamente por títulos de edição portuguesa, não incluindo obras brasileiras ou de qualquer outra proveniência. É também apresentada a data da edição ou da proibição a que respeita a
obra mencionada. A data de 1933 corresponde à publicação do Decreto n.º 22 469 de 11 de abril de 1933 que vem instituir a censura prévia também aos livros. No total são 900 títulos que constituem a maior recolha jamais realizada no âmbito da censura literária em Portugal.
Durante o Estado Novo, muitos dos livros do mortaguense Tomás da Fonseca foram também proibidos, e que constam da relação acima referida.
Eis alguns títulos:
Agiológico Rústico. I - Santos da minha terra - 1957
 Águas Novas,1950
 

 Águas Passadas, 1950

 
  Bancarrota, 1962
As Congregações e o Ensino, 1924
O Diabo no Espaço e no Tempo, 1958
 Ensino Laico: educação racionalista e acção, 1923
Filha de Labão, 1960
 A mulher, chave do céu ou porta do inferno?, 1960
O Santo Condestável, 1932

terça-feira, 10 de abril de 2012

Jornais de Penacova: 110 anos de história

Transcrevemos o interessante artigo de David Almeida, publicado no Penacova Online sobre a história dos jornais de Penacova, da Monarquia à Primeira República e até à atualidade.

"É no século XIX que se dá o grande impulso do jornalismo em Portugal. A liberdade de imprensa é consagrada na Constituição de 1822. Antes da queda da Monarquia nascem os grandes clássicos do jornalismo escrito português como o Diário de Notícias (1864), O Primeiro de Janeiro (1869), O Comércio do Porto (1854) e O Século (1881). Também a nível local e regional muitos periódicos começam a ser publicados. Em Penacova, foi em 1901 que o concelho viu surgir o primeiro jornal. Considerando os 110 anos decorridos, são oito os títulos que ficam para a história: o Jornal de Penacova, A Folha de Penacova, Ecos de S. Pedro de Alva, O Progresso Lorvanense, A Voz de S. Pedro de Alva e o Notícias de Penacova, Nova Esperança e Jornal de Penacova (1997).
JORNAL DE PENACOVA: O primeiro periódico a ser publicado em Penacova foi, como já referimos o Jornal de Penacova. Surgiu a 1 de Setembro de 1901. À sua fundação estão associados nomes como Joaquim Correia de Almeida Leitão, Júlio Ernesto de Lima Duque e Alberto Carrapatoso. No primeiro editorial escreve-se que Penacova não podia ''permanecer sequestrada dos embates do pensamento'' e afastada do ''progresso social que movimenta o vestíbulo do século XX, inundando de luz intensa a aurora secular que desponta''. Ao longo da sua existência (1901-1937) o Jornal de Penacova assumiu diversas tendências políticas. Inicialmente afecto ao Partido Progressista, ganhará a partir de 1908 uma inequívoca feição republicana. Em Dezembro de 1907, Amândio dos Santos Cabral, chegado de S. Paulo,''compra'' o jornal, e define um ''Novo Rumo" declarando "guerra aberta com a monarquia e o ultramontanismo." Em Janeiro de 1914, ainda com Amândio Cabral, como director e redactor principal, apresenta-se como ''Semanário Republicano Evolucionista'', numa identificação clara com a orientação política de António José de Almeida.