Cerca de duas dezenas de alunos da Escola participaram no passatempo "Descobre nos cartazes", relativo à Exposição "Da Primeira Revolta Republicana de 1891 à Implantação da República de 1910", que esteve patente no átrio do bloco C da nossa escola.
As respostas às questões colocadas são as seguintes:
1. Cidade do Porto, 31 de Janeiro de 1891.
2. Manuel Buiça e Alfredo Costa.
3. 16 anos.
4. Bernardino Machado.
5. António Maria da Silva, Afonso Costa e José de Castro.
6. Os dois governos com maior duração: n.º 15, de António José de Almeida (15/3/1916 a
25/4/1917) e n.º 5, de Afonso Augusto da Costa (9/1/1913 a 9/2/1914);
Os dois governos com menor duração: n.º 24, de Francisco José Fernandes da Costa (15/1/1920 a 15/1/1920) e n.º 25, de Alfredo Ernesto de Sá (15/1/1920 a 21/1/1920).
Acertaram às primeiras 5 questões os seguintes alunos:
Filipa Ferreira - 8.ºB; Gonçalo Carvalho - 7.ºB; Daniel, Rafael Duarte, Filipa Alves e Cátia Cadete - 8.ºA; João Rodrigues - 5.ºB.
Obs.: Nenhum aluno acertou à questão 6.
Ver poster com o elenco de todos os governos da Primeira República no site oficial do Centenário da República.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Símbolos da República - o Escudo
Nascimento Oficial do ESCUDO - 22 de Maio de 1911
Por Decreto do Governo Provisório de 22 de Maio de 1911 (publicado em Diário do Governo no dia 26 desse mesmo mês), sendo José relvas ministro das Finanças, o Escudo – Ouro, substituiu os 1000 Réis, como unidade monetária de Portugal.
A medida teve em vista colocar a unidade monetária portuguesa ao mesmo nível das dos países e evitar as desvantagens práticas da exiguidade da moeda, então muito depreciada, que vinha do antecedente, o Real.
O decreto com força de lei de 22 de Maio de 1911, justificava assim a remodelação do sistema monetário: “ A nossa unidade monetária, o Real, tem um valor muito pequeno, nada parecido com os valores das unidades monetárias dos diversos países, geralmente iguais ou superiores a um franco. Desta circunstância resulta ser necessário empregar um grande número de algarismo para representar na escrita uma quantia, mesmo relativamente pouco importante”(…).
Nestes termos, o Governo Provisório da República, com excepção da Índia, a unidade monetária é o Escudo ouro, que conterá o mesmo peso de ouro fino que a actual moeda de 1$000 Réis em ouro. Desta sorte, a razão da equivalência do actual sistema monetário e do novo sistema, será de 1$ooo Réis, ouro, por um Escudo”(…). O escudo, segundo o diploma, “ dividir-se-á em cem partes iguais, denominadas centavos, correspondendo assim um centavo a dez réis do actual sistema monetário”(…) “Serão cunhadas e emitidas moedas de prata dos valores legais de um Escudo, cinquenta, vinte e dez centavos”, acrescentava o decreto governamental, como se referiu, assinado por José Relvas.
Segundo o preâmbulo do diploma, encontravam-se, então, em circulação cerca de 34 400 contos de moedas de prata e 3 900 contos de moedas de cupro-níquel e de bronze.
O mesmo diploma que instituiu a nova moeda mandou substituir as moedas-metálicas em uso da Monarquia por 35 500 contos de moedas de prata de 1$00, $50, $20 e $10 e por 3 750 contos de bronze-níquel de $04, $02, $01 e $005.
Deve sublinhar-se, no entanto, que esse plano de substituição da moeda metálica nunca foi integralmente cumprido, apesar de as primeiras cunhagens do novo regime datarem de 1912.
Fonte: Memória do Escudo
quarta-feira, 24 de março de 2010
"Vem aí a República" - Joaquim Romero Magalhães
Recomendamos a leitura atenta do livro do Professor catedrático da Universidade de Coimbra, Joaquim Romero Magalhães Vem Aí a República, editado pela Livraria Almedina, Coimbra.
Veja a apresentação do livro no site da Livraria.
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terça-feira, 23 de março de 2010
"A República na Beira Alta", Manuel Martins e Abreu
Excerto do capítulo IV "Entulho de empregados"
"Mortagua tem a fama de ser a terra mais republicana da Beira. Não quero discutir agora se tambem tem o proveito. Para esta fama contribuiu o esforço que faço ha 36 anos para conter os homens no justo, afrontando-os de cara até dentro das repartições e acusando-os na praça publica pela palavra e em livros, distribuídos aos milhares pelos de casa e visinhos. Ultimamente o conflicto entre a posição e a capacidade e o nascimento atirou para a liça com mais dois campeões; o burel grosseiro era barato estojo para as boas folhas de Lopes d’Oliveira e Tomaz da Fonseca que, não cabendo dentro dos moldes existentes nem das camisas de estopa caseira, conquistaram logar entre os que sonham reformas.
O terreno é bom para sementeira, porque o mortaguense é capaz de civilisar-se. Entretanto eles, depois de terem serviços, colocando-se à meza do orçamento em vez de conquistarem pelo trabalho livre os meios de existir; deixaram de ser elementos da primeira fila.Augusto Simões é o chefe do falado republicano de Mortagua; tendo sahido muito moço para o Brasil onde se dedicou à vida comercial, por lá andou muitos anos. Guarda-livros de importantes casas e de bancos, não ajuntou mais que as mezadas que deva aos pais; pequenas, mas suficientes ao seu bem estar. Vira individuos de menor habilidade e capacidade de trabalho enriquecem ali ao seu lado e continuou pobre.A proclamação da republica no Brasil fez estremecer todo aquele corpo colossal. (…)- Mairink. Está aí o Sousa?-Qual Sousa procura V. Ex.ª?-O Augusto Simões.-Foi assistir ao Guarini no teatro da Republica.-Fale com ele hoje mesmo, para amanhã comparecer no seu escritorio ao meio dia.Oito dias depois contava a praça do Rio mais uma casa barcaria.Vê-se bem com que genero de capital entrou cada um dos tres socios. O seu giro foi de muitos milhares de contos, talvez sem dez tostões de lastro.Ganharam e perderam fortunas.A’quele período chamou-se – do ensilhamento.Como tudo era feito no ar, sobre papeis sem base, felizes os que saíram com a pele.Foi o Augusto um deste; alem da pele trazia uma fortuna vulgaríssima para o Rio, soberba para Mortagua.Estava cansado; o Rio era naquele tempo insalubre e o Simões retirou-se para cá.Era um homem honrado ou tinha de corar diante do seu dinheiro, como muitos?Eu tenho-me na conta de honesto; fui no Brazil, durante muitos anos, e por logares conhecidos, carroceiro, serrador, guarda-livros, professor, agrimensor, curandeiro , jornalista, negociante, pedreiro, regente de lavoiras, carrapina, construtor, cabouqueiro, derribei matas, capinei e plantei cafezais, destruí saúvas, dissequei pantanos, valei terrenos.E se não puz uma casa bancaria no ensilhamento, foi porque não vivia no Rio e não conhecia o Mairink nem o Quintino – nem era conhecido deles. Julgo mais fácil justificar a fortuna do Augusto do que a maioria das que por aí ha.Augusto, alem de possuir o saber de experiencias feito, tem atracções, é bom homem, inteligente, obsquiador, popular e munificente. Vinha cheio de ideias nobres, resolvido a engrandecer, quando podesse, a sua terra.Ao chegar, acordou.A sua superioridade sobre quasi todo o meio e o seu dinheiro não lhe foram perdoados.Sendo presidente da Camara, saneou a sua povoação, em grande parte á sua custa, macadamizando as ruas de que foram retiradas as estrumeiras, facto horrivel para a rudeza dos seus visinhos e dependente de coragem.Apesar disto continuou a trabalhar e não se vingou de ninguém, continuando o seu vinho, o seu caldo e a sua bolsa ao alcance de quem precisa.Ultimamente construiu um belo edifício escolar, que ofereceu ao Estado.
Correspondência de Lopes de Oliveira
UMA MANCHEIA DE CARTAS
De Manuel de Arriaga (1840-1917)
Lisboa, 3 de Maio de 1905
Presado Senhor Lopes D’ Oliveira
Venho agradecer-lhe a oferta do seu belo livro A justiça e o Homem e felicita-lo pela excelente orientação scientifica do seu lucente espírito, cuja completa emancipação dos restos de civilização católico-feudal, que ainda hoje nos deprime e afronta, é manifesta.Há neste seu simpático trabalho intenções sugestionadoras dum melhor futuro da Humanidade e lampejos de talento, que o devem confortar e fortalecer nas agruras da sua vida. Bemvindo seja!O problema abordado neste seu primeiro livro é extremamente complexo e complicado, pois pode dizer-se com verdade que a sua solução será a última palavra do progresso humano.Como observar todos os movimentos humanos que vão contribuindo para uma emancipação que tende a encontrar o equilíbrio social estável na egualdade de direitos e deveres entre todos os homens? Como todos sabemos, por amarga experiência quotidiana, estamos infinitamente afastados desse Ideal. E MESMO CONTRA A MARÉ!Em quanto não se conseguir uma verdadeira organização social, cuja lei suprema seja a indissolúvel e imprescindível solidariedade dos mundos e das consciências em todos os fenómenos da nossa vida e em todas as relações com o nosso semelhante, quer este seja branco, preto, amarelo ou vermelho, qualquer que seja o agregado social de que faça parte, o problema humano estará sempre longe duma solução definitiva.Até lá serão sempre justificadas as queixas de Job e os protestos de Prometheu e serão sempre bem vindos os espíritos ardentes, luminosos e cultos como o seu, dando o que pensam, o que sentem e o que valem em prol da Verdade.Renovando os meus agradecimentos, subscrevo-me, com toda a simpatia e consideração, seu admirador sincero.
MANOEL D’ARRIAGAP.S. É provável ir aí fazer uma conferência no domingo, e desejaria vê-lo e abraça-lo.
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