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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Espólio de Tomás da Fonseca

A Biblioteca Nacional de Portugal possui um vasto espólio de obras de Tomás da Fonseca.
Sobre o ilustre autor mortaguense pode ler-se:
Poeta, ficcionista, historiógrafo, jornalista, professor e militante republicano de cariz anti-clerical, José Tomás da Fonseca colaborou, com o advento da República, na reforma do ensino primário normal e organizou e animou diversas associações de carácter cultural. Foi vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, director da Escola Normal de Lisboa e de Coimbra - das quais foi afastado pelo sidonismo e pelo Estado Novo - e um dos fundadores da Universidade Livre de Coimbra. É muito vasta a sua colaboração na imprensa periódica nomeadamente em A Pátria, O Mundo, A Vanguarda, República, Alma Nacional ou, entre outros, no Arquivo Democrático, de que foi director. Em Evangelho de um Seminarista, Memórias dum Chefe de Gabinete e Memórias do Cárcere encontramos, passados a letra de imprensa, testemunhos da sua vivência.
O espólio (31 cx.) é constituído por manuscritos do Autor, correspondência, arquivo de imprensa, documentos biográficos e alguns manuscritos de terceiros.
Foi adquirido por compra à Associação Humanitária Movimento Emmaús do Abbé Pierre, em 1998.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eleiçoes para a Câmara de Mortágua em 1889

O blogue marmeleira transcreve um texto do republicano Manuel Martins e Abreu relativo às eleições para a Câmara de Mortágua, que decorreram em 1889, publicado no livro Coisas de Mortagua no ultimo quartel do século XIX. No pequeno excerto abaixo transcrito transparece o carácter combativo de Martins e Abreu.
Siga a hiperligação. 

Nós não vencemos a eleição; vamos só ensinar aquella gente como votam homens livres e como ainda por aqui os ha; vamos protestar contra o estado tenebroso que elles, em proveito da bolsa de uns, do egoismo d'outros, da basofia d'alguns e da desorientacão scientifica de todos - firmaram na ignorancia popular que elles desenvolvem.
Manuel M. Abreu

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tomás da Fonseca - Ficha da PIDE

Depois de ter estado encarcerado durante a ditadura de Sidónio Pais, em 1918, Tomaz da Fonseca conhece as prisões salazaristas em Maio de 1947 por ter protestado contra a existência do Campo de Concentração do Tarrafal, nas ilhas de Cabo Verde.
Na biografia prisional pode ler-se:
Apresentou-se voluntariamente em 8-5-947 na Delegação de Coimbra para averiguações. Transferido em 9-5-47 para esta Directoria, tendo recolhido à Cadeia do Aljube. Restituído à liberdade condicional em 30-5-947. Passou à liberdade definitiva em 1-7-948.
A título de curiosidade, tal era a sua fama de opositor ao regime que até no dia do seu funeral, realizado para o cemitério de Mortágua (Fevereiro de 1968), a Policia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) enviou agentes com a missão de anotar (discretamente) as pessoas e discursos de homenagem dos que ali compareceram ao último adeus.

terça-feira, 23 de março de 2010

"A República na Beira Alta", Manuel Martins e Abreu

Excerto do capítulo IV "Entulho de empregados"

"Mortagua tem a fama de ser a terra mais republicana da Beira. Não quero discutir agora se tambem tem o proveito. Para esta fama contribuiu o esforço que faço ha 36 anos para conter os homens no justo, afrontando-os de cara até dentro das repartições e acusando-os na praça publica pela palavra e em livros, distribuídos aos milhares pelos de casa e visinhos. Ultimamente o conflicto entre a posição e a capacidade e o nascimento atirou para a liça com mais dois campeões; o burel grosseiro era barato estojo para as boas folhas de Lopes d’Oliveira e Tomaz da Fonseca que, não cabendo dentro dos moldes existentes nem das camisas de estopa caseira, conquistaram logar entre os que sonham reformas.

O terreno é bom para sementeira, porque o mortaguense é capaz de civilisar-se. Entretanto eles, depois de terem serviços, colocando-se à meza do orçamento em vez de conquistarem pelo trabalho livre os meios de existir; deixaram de ser elementos da primeira fila.
Augusto Simões é o chefe do falado republicano de Mortagua; tendo sahido muito moço para o Brasil onde se dedicou à vida comercial, por lá andou muitos anos. Guarda-livros de importantes casas e de bancos, não ajuntou mais que as mezadas que deva aos pais; pequenas, mas suficientes ao seu bem estar. Vira individuos de menor habilidade e capacidade de trabalho enriquecem ali ao seu lado e continuou pobre.
A proclamação da republica no Brasil fez estremecer todo aquele corpo colossal. (…)
- Mairink. Está aí o Sousa?
-Qual Sousa procura V. Ex.ª?
-O Augusto Simões.
-Foi assistir ao Guarini no teatro da Republica.
-Fale com ele hoje mesmo, para amanhã comparecer no seu escritorio ao meio dia.
Oito dias depois contava a praça do Rio mais uma casa barcaria.
Vê-se bem com que genero de capital entrou cada um dos tres socios. O seu giro foi de muitos milhares de contos, talvez sem dez tostões de lastro.
Ganharam e perderam fortunas.
A’quele período chamou-se – do ensilhamento.
Como tudo era feito no ar, sobre papeis sem base, felizes os que saíram com a pele.
Foi o Augusto um deste; alem da pele trazia uma fortuna vulgaríssima para o Rio, soberba para Mortagua.
Estava cansado; o Rio era naquele tempo insalubre e o Simões retirou-se para cá.
Era um homem honrado ou tinha de corar diante do seu dinheiro, como muitos?
Eu tenho-me na conta de honesto; fui no Brazil, durante muitos anos, e por logares conhecidos, carroceiro, serrador, guarda-livros, professor, agrimensor, curandeiro , jornalista, negociante, pedreiro, regente de lavoiras, carrapina, construtor, cabouqueiro, derribei matas, capinei e plantei cafezais, destruí saúvas, dissequei pantanos, valei terrenos.
E se não puz uma casa bancaria no ensilhamento, foi porque não vivia no Rio e não conhecia o Mairink nem o Quintino – nem era conhecido deles. Julgo mais fácil justificar a fortuna do Augusto do que a maioria das que por aí ha.
Augusto, alem de possuir o saber de experiencias feito, tem atracções, é bom homem, inteligente, obsquiador, popular e munificente. Vinha cheio de ideias nobres, resolvido a engrandecer, quando podesse, a sua terra.
Ao chegar, acordou.
A sua superioridade sobre quasi todo o meio e o seu dinheiro não lhe foram perdoados.
Sendo presidente da Camara, saneou a sua povoação, em grande parte á sua custa, macadamizando as ruas de que foram retiradas as estrumeiras, facto horrivel para a rudeza dos seus visinhos e dependente de coragem.
Apesar disto continuou a trabalhar e não se vingou de ninguém, continuando o seu vinho, o seu caldo e a sua bolsa ao alcance de quem precisa.
Ultimamente construiu um belo edifício escolar, que ofereceu ao Estado.

Correspondência de Lopes de Oliveira

UMA MANCHEIA DE CARTAS
De Manuel de Arriaga (1840-1917)

  Lisboa, 3 de Maio de 1905
Presado Senhor Lopes D’ Oliveira
Venho agradecer-lhe a oferta do seu belo livro A justiça e o Homem e felicita-lo pela excelente orientação scientifica do seu lucente espírito, cuja completa emancipação dos restos de civilização católico-feudal, que ainda hoje nos deprime e afronta, é manifesta.Há neste seu simpático trabalho intenções sugestionadoras dum melhor futuro da Humanidade e lampejos de talento, que o devem confortar e fortalecer nas agruras da sua vida. Bemvindo seja!O problema abordado neste seu primeiro livro é extremamente complexo e complicado, pois pode dizer-se com verdade que a sua solução será a última palavra do progresso humano.Como observar todos os movimentos humanos que vão contribuindo para uma emancipação que tende a encontrar o equilíbrio social estável na egualdade de direitos e deveres entre todos os homens? Como todos sabemos, por amarga experiência quotidiana, estamos infinitamente afastados desse Ideal. E MESMO CONTRA A MARÉ!Em quanto não se conseguir uma verdadeira organização social, cuja lei suprema seja a indissolúvel e imprescindível solidariedade dos mundos e das consciências em todos os fenómenos da nossa vida e em todas as relações com o nosso semelhante, quer este seja branco, preto, amarelo ou vermelho, qualquer que seja o agregado social de que faça parte, o problema humano estará sempre longe duma solução definitiva.Até lá serão sempre justificadas as queixas de Job e os protestos de Prometheu e serão sempre bem vindos os espíritos ardentes, luminosos e cultos como o seu, dando o que pensam, o que sentem e o que valem em prol da Verdade.Renovando os meus agradecimentos, subscrevo-me, com toda a simpatia e consideração, seu admirador sincero.
MANOEL D’ARRIAGA
P.S. É provável ir aí fazer uma conferência no domingo, e desejaria vê-lo e abraça-lo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Álbum Republicano

 Director Luís Derdouet
"Publicação Bimensal contendo a colecção completa dos retratos das individualidades que mais se têm notabilizado no Partido Republicano".
1.º fascículo, (2.º volume), 1 de Maio de 1908.
José Lopes de Oliveira consta da lista de notáveis republicanos, ao lado de muitos outros: Afonso Costa, António José de Almeida, Teófilo Braga, Bernardino Machado, Guerra Junqueiro, João Chagas, Manuel de Arriaga, Brito Camacho, José Relvas Basílio Teles, Sampaio Bruno....


Retrato de José Lopes de Oliveira,
 publicado no Album Republicano


terça-feira, 16 de março de 2010

Obras de José Lopes de Oliveira: "...E Mesmo Contra a Maré"


Excerto da obra de José Lopes de Oliveira "...E MESMO CONTRA A MARÉ"
Em vez de prefácio - A Paisagem e o Demónio
Quando nesse dia me embarcaram no Niassa, só uma certeza levava: que, se naufragássemos, ia, enfim, ver África…
Eu conhecia a África – dos livros. E, pelos livros, mais de vinte anos a ensinara – tão variada geologicamente, tão diversa em flora e fauna, de tão estranhas raças, de tão singulares civilizações: continente e ilhas, desertos, oásis, selvas, planícies, cordilheiras, vulcões, rios poderosos, imensos lagos, e vastas cidades rumorosas, avizinhadas de gentílicos povoados…
Mas, há muitos mais anos, eu conhecera outra África, que tinha só aspecto - de solidão, de uniformidade telúrica, de monotonia vegetal! Conhecia-a dos sonhos; desde menino, nunca dormi sem sonhar: os sombrios pesadelos encheram as noites da minha infância.
A costa, bravia e nua, sobe a pique. Do mar tenebroso, onde navego, só distingo, além das falésias, pardos areais com anaínhos arbustos, de longos ramos ligeiros, que o vento impetuoso arrasta. De quando em quando a calma imobiliza-os; mas como numa tortura interrompida, por que se adivinha que não cessou de todo o seu martírio: as suas pequeninas folhas estão todas trementes!
E esta paisagem volteava e corria pela costa adusta, toda a terra deserta, sem alma vivente, ao clarão dum luar nunca visto, com o calor do sol e o brilho álgido das estrelas…
- É a África! É a África! – reflectia.
Ora para mim, na infância, a África era o lugar da expiação dos grandes crimes – conforme ouvira. E, assim contemplando este ermo imenso à borda do mar, a minha vista sondava, interrogava, afligia-se, procurando descobrir qualquer figura humana; e, cansados os olhos sem os encontrar, meditava: - onde estarão os degredados?
E o mar, gemendo, arfando, sem vagas, trágico de negrume, viscoso e luzente!
A este sonho sucedia sempre outro sonho…
A acção passava-se num telheiro de forno, pegado à casa onde eu morava, na povoação da Beira onde me criei.
Havia ali, para amassar a broa, um grande caldeirão com água a ferver, suspenso e grossas correntes.
Ouvia então um grande barulho sobre o canto da lenha; e logo me aparecia o Demónio. Alto e corpulento, tinha um semblante humano: mas em tudo era caprino, a não ser nos cornos retorcidos como cifres de carneiro.
Aproximava-se lentamente e perguntava:
- Queres vender-me a tua alma?
Já sabia a minha resposta, seca, monossilábica, decidida.
- Não.
Em regra nem esperava por ela: apenas fazia a pergunta, e até sem a acabar, investia.
Com uma agilidade espantosa, desviava-me; ele ia bater de encontro à padieira do forno, e ficava coberto de cinzas.
Eu era muito ferveroso crente, e sabia orações de esconjuro – mas nunca atinava com elas, nem mesmo com o sinal da Cruz.
A luta prolongava-se: começava a sentir-me cansado, pisado, ferido… então, juntando todas as minhas forças, e com o pensamento firme em Deus, numa maravilhosa segurança de golpe agarrava o Demónio pelos chavelhos, e, dum só balanço, atirava-o para dentro do caldeirão onde a água fervia em cachão.
Nunca conseguia ver as carantonhas de Santanaz neste banho, porque eu ainda de tão pequena estatura que, mesmo em bicos de pés, não alcançava os bordos do caldeirão.
Mas as patas, que ficavam de fora, em breve imóveis, traziam-me a alegre certeza de haver vencido e morto o Diabo!
Isto tudo acabou, ao entrar na puberdade. Foram então outros pesadelos, outras lutas…
Ao canto, o Diabo pinchou sobre a ruma da lenha que, com estrondo, desabou toda; aproximou-se e disse pausada, sarcasticamente:
- Eis-te, afinal… atado de pés e mãos, prisioneiro. Já não poderás escapar; és meu – vencido… e convencido!
Retardei prudentemente a resposta às suas insolentes palavras: e o meu silêncio animou-o.
- Como pretendias, tresloucado, continuar lutando contra o meu poder?
Contive-me, e fraquejei:
- Mas nem sequer pensei mais em Vossa Excelência, desde a ultima vez que nos encontramos: porque atribuir-me, pois, qualquer intenção de hostilidade?
Então ele retorquiu:
- Nenhum acto de hostilidade? E delicioso, amigo! Passaste a vida a chamar pela Verdade, pelo Direito, pela Justiça, isto é, por aquele que me jurou ódio eterno: porventura ignoras que Verdade, Direito, Justiça, são invocações do seu nome?
Senti que o internal mestre de Lógica me excederia em dialéctica, e não tergiversei mais:
- Pois bem: se queres recomeçar, recomeçaremos – miserável!
E lancei-me a ele… Mas quantas vezes estive a ponto de ser subjugado!Alguma coisa me faltava: a energia sobrehumana, a força angélica à qual tudo é fácil, à qual tudo era possível. Em lugar de opor-lhe, desde logo, um «não» decisivo, eu tentara discutir, iludir, parlamentar.
Procurei reanimar todas as fontes vivas da inocência e da fé, sopitadas no fundo do meu ser: e de repente, como outrora, dum só balanço atirei com o Inimigo para dentro do caldeirão.
Mais uma vez – vencera!
Febo Moniz, defrontando-se com o Cardeal-Rei, que queria entregar Portugal a Filipe II – o Demonio do Meio Dia – imprecara:
- Podeis, Senhor, dispor da nossa vida e dos nossos bens; mas não podeis dispor da nossa alma – que essa só pertence a Deus!
O Demónio dispôs dos nossos bens e das nossas vidas, fugilando, enforcando, desgolando, deportando, sequestrando, roubando: mas não pôde nada sôbre a alma de Portugal, que sessenta anos depois ressurgiu, em esplendor de épicas vitórias, tal como em Cerneja e Ourique.
Ao acordar, o grito de São Tiago! São Tiago! soou a meus ouvidos como um apêlo de batalha...
Passaram já tantos anos! Mas sei, meu Deus, que a minha alma, a minha alma de criança crente que lutou com o Demónio, mas a vendi nunca, nem venderei jámais.
Lopes D'Oliveira

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ligações republicanas de Armando Lopes Simões




















Armando Lopes Simões, actualmente com 90 anos, residente em Vale de Açores, natural do Rio de Janeiro - Brasil, nasceu em 11 de Setembro de 1919, após o fim da 1.ª Guerra Mundial.
Veio para Portugal em Outubro de 1923.
As suas origens republicanas estão relacionadas com o seu pai, que nasceu em 5 de Outubro de 1896. Segundo diz, seu pai festejava os seus anos com bandeirinhas de República Portuguesa a partir de 1910, sendo seu incondicional apoiante.
 "Quando fiz o exame da 4.ª classe em 1930, era meu professor o grande republicano, João de Alegria Almeida Guerra. Foi o instrutor César Anjo, presidente do directório republicano do distrito de Viseu, que me fez o exame! Nessa altura, morávamos em Mortágua em casa do Tomás da Fonseca e do Dr. Lopes de Oliveira - pessoas arreigadamente republicanas -, em virtude de  eu ter sido expulso da escola de Vale de Açores. Mais tarde o nosso convívio continuou em Lisboa até ao falecimento desses meus grandes professores.
Meu pai, durante a sua vida de 95 anos, demonstrou sempre um sentido crítico contra os inimigos da República e os apoiantes da ditadura salazarista, tal como aconteceu com Lopes de Oliveira e Tomás da Fonseca!"
Armando Lopes Simões

A República na Toponímia: Rua Dr. José Lopes de Oliveira


A República na Toponímia: Largo Albano Moraes Lobo




A República na Toponímia: Rua Tomaz da Fonseca - Mortágua

















Na freguesia de Pála, concelho de Mortágua, existe também uma rua dedicada ao escritor.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrevista ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Mortágua

Tiago:
- Pretendíamos que o Sr. Presidente nos informasse sobre as actividades que o Município está a promover no âmbito da Comemoração do Centenário da República, para que as possamos divulgar no nosso blogue, e quais as acções que a Câmara irá desenvolver com as escolas.
Dr. Afonso Abrantes:
- Neste momento ainda estamos em fase de elaboração do programa, sendo certo que já temos duas actividades agendadas em que estamos a trabalhar:
Uma exposição sobre a República, vista na prespectiva local, procurando dar a conhecer figuras e factos. Esta exposição acontecerá, em princípio, a partir do dia do Município (13 de Maio).
Estamos também a fazer o possível para, na sessão solene do município, ter a presença do Professor  Doutor Romero Magalhães, da Universidade de Coimbra, para fazer uma conferência sobre o tema. Numa homenagem às figuras republicanas de Mortágua, estamos a preparar a edição de uma publicação sobre Manuel Ferreira Martins de Abreu, da responsabilidade do professor Romero Magalhães  para o dia do Municipio.
Tiago:
- Qual a figura do Município ligada à República a que gostaria de dar particular destaque?
Dr. Afonso Abrantes:
- Entre as figuras que nós temos, algumas tiveram destaque a nível nacional, como Tomás da Fonseca e José Lopes de Oliveira, mas também há outras figuras que, apesar de não serem muito conhecidas, não devem ser esquecidas.
O que mais se destaca por não ter nenhuma formação académica é o Manuel Ferreira Martins de Abreu, que era uma figura  intrépida e aguerrida. Todas as "guerras" que ele travou foram centradas mais localmente, no poder autárquico e não tanto a nível partidário. Sem formação académica... João Chagas refere-se a ele que há muito não lia nada tão interessante para além de Camilo, pela vivacidade com que escrevia.
 Tiago:
- Pretende mencionar mais algum aspecto que considere relevante?
Dr. Afonso Abrantes:
- Sendo Mortágua considerada, ao tempo, a mais republicana das vilas de Portugal, não posso deixar de ficar satisfeito que os jovens e a escola estejam a dar atenção a estas comemorações do 1.º Centenário da República, nomeadamente pesquisando sobre factos e personalidades locais. Conhecer o passado é estar a olhar para o futuro! É muito importante que se faça isso.  
                                                                        
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Biografia de Basílio Lopes Pereira

Advogado, Político, Republicano.
Nasceu na Marmeleira em 1894 e faleceu a 25 de Maio de 1959. Era filho de Joaquim Lopes Pereira e Maria da Encarnação Araújo. Foi membro, no início do século XX, do grupo de teatro amador existente na aldeia da Marmeleira.
Em comemoração do 2.º aniversário da implantação da República, fundou na Marmeleira, ainda em estudante, em 1912, com Alfredo Fernandes Martins, um pequeno jornal, o “Sól Nascente.
A sessão inaugural foi presidida pelo Visconde do Alto Dande. Usaram da palavra o deputado da Nação, Tomás da Fonseca, o administrador do concelho, Eduardo de Magalhães, e ainda Martins Abreu.

Basílio Lopes Pereira exerceu o cargo de administrador do concelho de Mortágua. Foi advogado em Barcelos e Angra do Heroísmo. Foi membro da direcção dos Bombeiros Voluntários de Mortágua. Na década de 30 formou-se, contra a Ditadura de Salazar, a Frente Popular Portuguesa. Uma das partes desta organização anti-fascista tinha como cérebro o Dr.Basílio Lopes Pereira. Era a Acção Anticlerical e Antifascista (AAA). Para fugir às perseguições usava os pseudónimos de A. Madeira e Manuel J. Luz Afonso. Na mesma década dirigiu a Conjunção Republicana Pró-Democracia e apoiou refugiados republicanos espanhóis em Portugal. Pela oposição candidatou-se em 1956 a deputado pelo círculo de Aveiro.
Faleceu em Lisboa, e foi enterrado no cemitério da Marmeleira. Devido a ser um opositor ao regime do Estado Novo, o seu funeral foi observado por agentes da PIDE que elaboraram um relatório circunstanciado das pessoas presentes, entre as quais se encontrava Tomás da Fonseca, entre muitos outros.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Biografia de Joaquim Augusto de Oliveira


Joaquim Augusto de Oliveira foi Republicano e Democrata.
Nasceu na localidade do Barril a 21 de 1897 e morreu a 10 de Setembro de 1980.
Filho de José de Oliveira e Maurícia de Jesus. Durante a ditadura de Sidónio Pais (1917-1918) foi desterrado para o Sul de Angola, regressando a Portugal em 1919. Participou na fundação da Escola Livre de Mortágua. Era conhecido pelo seu amor à cultura e à instrução.
Como elemento fundador da Escola Livre de Mortágua, participou activamente em várias sessões recitando poemas de sua autoria. Aquando da reorganização da Escola Livre de Mortágua em 1927, passou a ser o responsável pela secção do Escutismo.
Emigrou para os E.U.A. em 1927. Viveu a crise económica que se abateu no final da década de 20, sobre os E.U.A. tornando-se um admirador do Presidente democrata Franklin Roosevelt. Nos E.U.A. conviveu com opositores à ditadura salazarista: João Camoesas, Padre Alves Correia e o escritor José Rodrigues Miguéis. Escrevia no Jornal “Diário de Notícias”, de New Bedford. Na cidade de Danbury, Estado de Conneticut, abriu uma escola onde ensinava os filhos dos emigrantes portugueses, nascidos naquele país, a falar e a escrever a língua portuguesa.
Regressou a Portugal em 13 de Novembro de 1961. Entre o seu círculo de amigos mais íntimos contavam-se o Dr. Assis e Santos, o Dr. José Lopes de Oliveira e Alberto Lobo, entre outros ilustres conterrâneos.
Obras publicadas:
Do Meu Coração ao Vosso
Fraternidade Universal
Cântico do Exílio
A Felicidade e o Homem
Ver a Biografia completa no site da Câmara Municipal de Mortágua

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Entrevista à sobrinha-neta de Augusto Simões de Sousa

Republicanos de Mortágua – Augusto Simões de Sousa



Diogo (9.º B):
- Qual o seu grau de parentesco com o republicano Augusto Simões de Sousa?
Prof.ª Maria Adelina:
- Sou sua sobrinha-neta.
Diogo:
- Dr.ª Maria Adelina, que conhecimento tem deste seu tio-avô?
Prof.ª Adelina:
- Era um republicano que esteve muitos anos no Brasil e que ganhou lá um bom dinheiro e que, quando veio para Vale de Açores, só pensava em evoluir a aldeia. Era um bom benemérito. Ajudou também a população e as sobrinhas.
Diogo:
- Dr.ª Maria Adelina, conhece a casa onde viveu o seu tio–avô?
Prof.ª  Maria Adelina:
- É a casa onde vivo e que recebi como herança da parte da minha mãe.
Diogo:
- O Sr. Augusto Simões de Sousa foi presidente da Câmara de Mortágua nos finais do séc.XIX. Como republicano que era, sabe que medidas tomou no campo da educação no Concelho de Mortágua?
Prof.ª Maria Adelina:
- Construiu uma casa para ser a escola da aldeia e quando acharam que a casa estava degradada a Câmara construiu uma escola nova e a antiga ficou para a família, mas hoje essa escola já não existe. Eu também fui aluna da escola antiga.
Diogo:
Mortágua era um concelho sem grandes recursos. Sabe o que é que o seu tio-avô fez para melhorar as condições sanitárias da sua terra?
Prof.ª Maria Adelina:
- Incentivou as pessoas a fazerem fossas nas casas e pôs nas ruas macadame.
Diogo:
- Dr.ª Maria Adelina, que outras memórias de relevância tem do seu tio-avô?
Prof.ª Maria Adelina:
- As pessoas diziam que ele usava um robe vermelho e um carapuço. Era uma boa pessoa.
Diogo: 
- Bem haja, pela atenção dispensada!

Casa da Professora Dr.ª Maria Adelina Ramos, antiga casa de Augusto Simões

Biografia de Albano Moraes Lobo




























Nome: Albano Moraes Lobo
Data de Nascimento:18/04/1872
Data da Morte: 25/01/1913
Naturalidade: Mortágua
Nacionalidade: Portuguesa
Filiação:
-Pai: Manuel Ferreira Lobo.
-Mãe: Maria Emília de Jesus Moraes.
Fundou em 1893 o mais antigo estabelecimento comercial de Mortágua com a designação de "Albano de Morais Lobo, Sucessores Lda".
Este estabelecimento ainda hoje está em funcionamento com o mesmo nome, a mesma família e no mesmo local decorridos já 117 anos.
Neste estabelecimento existia de quase tudo na área do comércio até ao retalho.
Prestava também serviços como agência funerária, seguros e transações bancárias.

Albano Moraes Lobo, além de comerciante, era também uma pessoa ligada á vida associativa e progressista do concelho, tendo participado na fundação do Teatro Clube e na Escola Livre e da Filarmónica de Mortágua.
A Escola Livre  de Mortágua, à semelhança da escola livre Irmânia, tinha como principal missão elevar a literacia dos mortáguenses e a divulgação da cultura e do saber.
Tinha secções de Estudos Gerais, com lições de Geografia, História, Literatura Portuguesa e Astronomia. Possuia também além da secção de Estudos Gerais, secções de Música, Teatro, Artes Aplicadas, Filantropia, Educação Física, Biblioteca Popular (em sua memória passou a ter o nome de Biblioteca Popular de Albano Lobo).
A responsabilidade destas lições cabia a Dr. José Lopes de Oliveira e Tomaz da Fonseca.
Albano Moraes Lobo foi membro de uma loja maçónica e um republicano entusiasta e dedicado, tendo sido membro do Partido Republicano Português, era companheiro de luta de outros grandes republicanos como Tomaz da Fonseca, Lopes de Oliveira e Augusto Simões. Militou alguns anos no partido progressista (depois extinto), tendo exercido o caego de vareador da câmara.
Filiou-se depois ao Partido Republicano, vindo a exercer o cargo de secretário da Comissão Municipal Republicana. Em 1913 foi nomeado pela República administrador do concelho de Mortágua, vindo a falecer nesse mesmo ano.

Pode ver a biografia completa no site da Câmara Municipal de Mortágua.

Biografia de Augusto Simões de Sousa


Natural de Vale de Açores, nasceu a 25 de Dezembro de 1872 e faleceu em 17 de Julho de 1935. Filho de Teotónio Simões e Maria do Espírito Santo. Foi Guarda - livros de casas comerciais do Brasil, para onde emigrou em 1872, ainda muito novo. Desempenhou os cargos de tesoureiro e gerente do Banco Comercial de S. Paula e mais tarde tesoureiro do Banco da República. Regressou a Portugal em 1895, sendo eleito presidente da Câmara Municipal de Mortágua.
Foi um destacado membro do Partido Republicano. Protector das Escolas Móveis pelo método João de Deus, e presidente, antes da implantação da República, da Comissão Municipal Republicana de Mortágua. Nesse tempo, Mortágua tinha a fama de ser a terra mais republicana da Beira.
Outro republicano do concelho, Manuel Martins e Abreu, também ele regressado do Brasil, escreveu sobre a obra de Augusto Simões de Sousa:
"Sendo Presidente da Câmara, saneou a sua povoação, em grande parte à sua custa, macadamizado as ruas de que foram retiradas estrumeira, facto horrível para a rudeza dos seus vizinhos e dependente da coragem. Apesar disto continuou a trabalhar e não se vingou de ninguém, continuando o seu vinho, o seu caldo e a sua bolsa ao alcance de quem precisa. Ultimamente construiu um belo edifício escolar, que ofereceu ao Estado." 

Biografia de Manuel Ferreira Martins e Abreu

Nome: Manuel Ferreira Martins Abreu
Data de Nascimento: 15/12/1861
Data de Morte: 07/02/1944
Naturalidade: Pinheiro, Mortágua
Nacionalidade: Portuguesa
Obras Públicadas:
“ Coisas de Mortágua” (1890)“ Provas das Coisas de Mortágua” (1891)
“ Política de Campanário e Justiça d`Aldeia” (1893)
“ Ajuste de Contas” (1894)
“ Pela Civilização do Brasil” (1903)
“ O meu voto nas próximas eleições” (1906)
“ A República da Beira Alta” (1913)
“ Justiça na Beira Alta” (1914)
“ Istória Contemporânea de Mortágua” 1921)

Além destas obras, deixou também um grande volume de manuscritos que nos contam acontecimentos inéditos e peripécias da sua vida como Lavrador, Professor; Administrador de Fazendas, Escritor, Jornalista, Autarca e Político.

A biografia completa de Manuel Ferreira Martins Abreu encontra-se no site da Câmara Municipal de Mortágua.